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A APCM – Associação Antipirataria Cinema e Música – registrou o primeiro caso confirmado de camcording no País. O alvo dos piratas foi o filme nacional “Meu nome não é Johnny”, que estrou nas salas de todo País no dia 04 de janeiro deste ano. Diferentemente de Tropa de Elite, obtido ilicitamente em uma das etapas de produção, o novo lançamento foi disponibilizado na internet três dias depois de sua estréia.

 

Camcording é a palavra internacionalmente utilizada para designar a gravação não autorizada de filmes realizada dentro das salas de cinema com uma câmera de vídeo portátil. Geralmente, é a primeira etapa na cadeia de violação de direitos autorais que termina com a disponibilização maciça de mídias piratas contendo filmes que sequer foram lançados em DVD, sendo que geralmente as cópias geralmente são de baixa qualidade.

 

Logo após a gravação não autorizada nas salas de cinema, o filme é disponibilizado na internet, por meio de servidores de alta velocidade chamados Topsites, que acabam acionando uma verdadeira avalanche de downloads ilegais. Poucas horas depois, é possível obter ilicitamente o arquivo produto de camcording a partir de servidores dedicados e,  por último, os arquivos tornam-se disponíveis nas redes P2P em em servidores de discos virtuais como o Rapidshare e o Megaupload.

 

O responsável pelo setor de combate à pirataria na internet, Ygor Valério, comenta sobre as ações: “Trata-se da constatação de que a prática do camcording, que anteriormente se dava exclusivamente fora do país, é mais um inimigo que teremos que combater com medidas legislativas, políticas públicas e medidas repressivas eficientes. Queremos trabalhar em conjunto com os órgãos competentes para que esse tipo de violação não se expanda como ocorreu em no Canadá e Japão”.

 

A APCM, por meio de sua divisão de combate à pirataria na Internet, trabalha para identificar não só a fonte de arquivos ilegais como o mencionado, mas também para conter a avalanche de violações que se seguem ao camcording.

 

No último ano, mais de  55 mil links de filmes e músicas e 15 mil arquivos P2P (peer to peer) foram retirados da internet, números que tendem a aumentar consideravelmente com a intensificação do combate à pirataria na Internet realizado pela APCM em 2008.

 

 

De acordo com Márcio Gonçalves, diretor antipirataria para América Latina da MPA – Motion Picture Association, associação que representa os estúdios americanos e que realiza uma intensa campanha mundial contra esta prática - a situação pode tornar-se ainda mais grave. “Noventa por cento das cópias ilegais que circulam no mundo são feitas dentro dos cinemas. Aqui no país esse é um fato absolutamente novo, mas que pode prejudicar bastante a indústria nacional do áudio visual. Isso tem que ser controlado e fiscalizado no começo para que toda a indústria audiovisual não pague um preço bastante alto por isso”, previne o especialista.